Archive for Outubro 2014

Dona Olga, memórias e halloween

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Não tenho nada contra o Halloween, nada mesmo. É claro que tanto no Equador como no Brasil, é uma festa importada. Mas, como todas as outras, ao menos no Brasil, já ganhou contornos e características bem locais. 

Só que, quando criança, nunca tive medo de bruxa. Minha infância fantasiosa foi assombrada pela Cuca, o Boi-da-cara-preta, o Saci, Lobisomem e a Mula-sem-cabeça. Estes últimos em particular seguiram por boa parte da adolescência, nas histórias que minha avó Olga contava de sua cidade natal. Nazaré, no recôncavo baiano, é hoje bem maior que há 50 anos atrás, quando Dona Olga, como muitos nordestinos, se retirou para o Rio de Janeiro. Se ainda hoje a cidade guarda os traços rurais que são terreno fértil para as lendas e fantasias (algo que tristemente perdemos nas grandes metrópoles), imagina no período de infância e juventude da minha avó, na primeira metade do século XX. Tenho bem vivo na minha mente as noites assustadas que dormi depois de ouvi-la falar do amigo de um conhecido que teve a casa invadida pelo lobisomem, do vizinho que contou ter visto o Saci, ou das noites que evitava sair de casa pelos boatos que corriam de que uma mula-sem-cabeça assombrava a cidade. Ela não contava para assustar, o fazia naturalmente, como quem fala saudosamente de um tempo que se foi.

Sempre penso que, fosse hoje, gravaria todas as suas histórias em um mp3 para não perder nenhum detalhe! Mas, quem sabe, tendo apenas minha memória de alguma forma não não recrio estas histórias condimentadas com o assombro e o afeto que estas lembranças me trazem.

Eu não preciso de halloween.