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A Copa longe e perto

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Depois de muito tempo sem postar, creio que vale umas poucas e más palavras aqui sobre a Copa do Mundo. 

Ser brasileiro aqui em Quito nesta época é algo um tanto quanto diferente. Rádios, tv's, impressos... todos querem saber o que sentimos ou pensamos. Nunca vivi nada parecido. Alguns com perguntas mais inteligente e abordando as questões em torno do evento de forma mais ampla. Outros com as perguntas óbvias e esperando ver nossa torcida envolta no clichê samba e carnaval. Fazemos de tudo com o devido cuidado. Ainda que muitas vezes contraditórios, ser inconveniente ou antipático nunca é uma opção.  Além disso, longe de casa há o fator identidade, que aflora com uma força indescritivelmente maior e nos faz querer deixar evidente quem somos e de onde vimos em cada mínimo detalhe do nosso comportamento cotidiano.

Compartilhei e compartilho muitas críticas à Copa do Mundo, FIFA, CBF, governos pelo Brasil e a maneira como as coisas foram conduzidas. Por aqui poucos querem ouvir isso. Mas também toco meu pandeiro, visto a camisa da seleção brasileira, expresso a minha paixão e relação com o futebol e as Copas do Mundo... esse é o esperado. Estereótipos à parte, não é menos autêntico, e tenho que concordar que é mais encantador. Se de alguma forma alguns me dão espaço para falar do que critico, certamente é por que também lhes apresento o que os encanta. E Brasil é tudo isso.

Me perdoem amigos militantes, entendo perfeitamente a causa (que também é minha) e a postura que vocês resolveram adotar boicotando a Copa, mas, talvez influenciado pelo fato de estar fora do Brasil e por tudo que tenho vivido em Quito (ou tlvez não), optei por torcer pela seleção brasileira, e acompanhar os jogos (assim, inclusive, como sempre fiz com meu Vasco Da Gama, que em termos de desmandos e corrupção, guardadas as devidas proporções, dá show na FIFA!). Acho que o futebol se tornou aquela filha linda e encantadora do ditador, do mafioso, do empresário ladrão ou do político corrupto. Seu pai autoritariamente ordena que as coisas sejam do seu jeito, manda, desmanda, tortura e mata a seu bel-prazer. É extremamente perigoso e contraditório se apaixonar por ela. Mas uma vez apaixonado, há poucas opções. Uma delas é sim se afastar completamente e sofrer calado essa paixão. A outra é viver o que sente, seu risco, consciente do perigo e até onde for possível, lutando para que esse amor possa enfim ser liberto do poder e do autoritarismo . 

Eu escolhi o risco.